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O que os balanços do 1º trimestre dizem para quem investiu na Bolsa?

terça, 16 de junho de 2020

As medidas de isolamento social tomadas por governos para conter a pandemia do novo coronavírus chegaram apenas no terço final do primeiro trimestre. Mas a restrição ao consumo e à produção já foi suficiente para afetar o desempenho das maiores empresas do país no período. É o que mostra a primeira safra de balanços de resultados em 2020 das companhias com ações negociadas em Bolsa. Quase metade apresentou números abaixo do que era esperado pelos analistas.

Apesar do desempenho ruim na média, algumas empresas conseguiram atravessar o primeiro trimestre com saúde. Cerca de 18% das companhias revelaram indicadores superiores ao que eram projetados pelos analistas. Os negócios ligados ao comércio eletrônico, ao varejo de medicamentos e à produção de alimentos foram até beneficiados pelo isolamento social, que elevou o consumo dentro dos lares, os cuidados com saúde e higiene. Por outro lado, os setores de viagens, shopping centers e financeiro sofreram mais que a média.

Segundo profissionais de mercado, saber diferenciar os setores que se deram bem daqueles que estão mais machucados é fundamental para o investidor que tem dinheiro na Bolsa.

“De maneira geral, o primeiro trimestre mostrou os primeiros impactos do coronavírus, que foi mais forte nas empresas mais expostas ao setor de serviços”.

Colchão de emergência

Volume de vendas ou tamanho do lucro são indicadores que os analistas costumam acompanhar com cuidado para definir a lista das empresas vencedoras e perdedoras no primeiro trimestre. Mas não são os únicos dados relevantes. A quantidade de dinheiro em caixa e o nível de endividamento também são importantes - e ganharam mais peso em meio à crise da covid-19.

"As empresas não conseguem cortar custos na mesma velocidade com que as receitas caem. Por isso, ter reserva de caixa é fundamental para cobrir compromissos fixos, como salários, aluguéis, fornecedores", diz afirma o professor de contabilidade da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto, Marcelo Botelho Moraes.

“Por isso, liquidez e baixa alavancagem são importantes porque mostram o fôlego que a empresa tem para atravessar a crise inteira. Até porque o maior impacto da crise está ocorrendo neste segundo trimestre. Então, quem chegou ao fim de março com mais dinheiro e menos dívida tem mais chance de seguir apresentando bons resultados”.

    FONTE: João José Oliveira do UOL, em São Paulo 16/06/2020 04h00   SAIBA MAIS EM:  https://economia.uol.com.br/financas-pessoais/noticias/redacao/2020/06/16/vencedoras-e-perdedoras-no-1-trimestre-em-meio-a-crise-da-covid-19.htm
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